A luta dos servidores públicos no Brasil, nos últimos sete anos, pode ser resumida numa única palavra: resistência. Esta é a avaliação da Coordenação da Associação dos Servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ASSUFRGS). E resistência aos esforços neoliberais para implementar o chamado Estado Mínimo, numa ótica pela qual as necessidades da população seriam supridas pela iniciativa privada.Na área da educação pública, “uma política de desmonte e engessamento das estruturas foi implementada”, mostra a Coordenação da Assufrgs. “As universidades públicas vêm sendo pisoteadas desde o governo de Collor de Mello. Vários são os ataques: cortes de verbas; não reconhecimento da autonomia universitária; peso diferenciado no voto da comunidade universitária para eleição de dirigentes; desmantelamento da carreira dos trabalhadores em educação; não reconhecimento da data base dos servidores docentes e técnico-administrativos impondo sete anos de congelamento salarial e muitos outros”.A todas essas tentativas de privatizar o sistema federal de ensino superior, os servidores técnico-administrativos vêm resistindo, afirma a Coordenação: “Fizemos, nesses sete anos, quatro greves: 1996, 1998, 2000 e 2001. Em todas elas, nossas reivindicações se mantiveram inalteradas nos seguintes itens: carreira nacional; defesa da Universidade Pública; concurso público, com liberação das vagas existentes; agenda autonomia universitária; defesa dos Hospitais Universitários; contra a terceirização e contratos temporários; defesa do Plano Nacional de Educação, além da reposição das perdas salariais dos períodos”.Em sua avaliação, “todos esses movimentos foram importantes para que a Universidade Pública ainda exista hoje. Não obtivemos muitas vitórias que repercutissem em ganhos salariais, mas todas as greves foram fundamentais para barrar as pretensões em privatizar as universidades”.
